Ética na política: desconstruindo para recomeçar

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Política. Eu garanto que alguns, quando ouvem essa palavra, já imergem em um mar de pessimismo, outros se entregam ao desinteresse e uma ínfima minoria, corajosa, pensa com vontade. Vontade de ser mais, de mudar, de criar e de desobstruir o canal que impede a manifestação plena da ética no exercício das atividades dos políticos brasileiros.

Ética que, ao contrário do senso comum, é algo simples e universal. Sua manifestação é possível para todos, pois, a ideia do correto, mesmo que caia geralmente em infinitas propostas de flexibilização, é algo que, não se espante, está latente em nós.

O homem nasce bom e se torna mau. Modificando o pensamento de Rousseau, eu diria que ele pode se tornar mau. O bom, o ético, o saudável e o construtivo, e todas as ideias atreladas a esses conceitos, já nascem conosco, de infinitas formas, que mesmo em sua diferenciação caem no mesmo pragmatismo.

Isso corrobora com o pensamento ético de Kant em seus imperativos categóricos que definem a ética como algo autônomo que surge da razão pura, inerente a todos.

Essa razão pura, ideia de bem, ética, ou, até mesmo, a voz da consciência, para alguns, é algo que todos conhecemos e não devemos deixar guardado, apenas em um plano mental. É preciso que isso se manifeste em casa, no trabalho, no lazer e na política que circunda todas as nossas ações, pois somos seres políticos por natureza, como diz Aristóteles.

A aplicação dessa ética política no cotidiano eliminaria as filas cortadas, os assédios morais, o roubo, o desperdício, as desigualdades e a grande maioria dos entraves que assolam nossa sociedade.

É necessário descontruir a ideia de que a política e a corrupção são coisas que só moram em Brasília. Elas moram, também, em nós e no nosso dia a dia. Por isso, antes de começar a reclamar dos políticos, sempre colocando a culpa de tudo de ruim que acontece no outro, que tal fazer diferente e olhar, primeiramente, para dentro de si, se avaliar e se autoconhecer?

É esse autoconhecimento como diz Sócrates a chave da sabedoria, que revela que tudo aquilo que por vezes reclamamos também mora em nós.

Desligue a hipocrisia. Acredite que, assim como você acredita que pode mudar e ser mais, a política e o Brasil também podem, e já estão a progredir. Olhe para os 500 anos que já se passaram e perceba que muito evoluímos. Foi-se a exploração de Portugal, o voto de cabresto, a escravidão, a Ditadura e, logo, a corrupção também se vai. Não se preocupe. Mas, também, não se entorpeça e faça a sua parte, pois como em uma progressão geométrica, pequenas partes se multiplicam criando números elevados, mudando aquele cenário que, até então, parecia imutável.

gabrielle

 

Gabrielle Jambeiro é estudante
e membro do grupo de trabalho Jovens em Ação.

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